quinta-feira, setembro 07, 2006

I - Caixa de tesouros

Pandora deixou este embrulho aqui, contendo toda uma infinitude de tralha... Vinha sem laçarote e trazia uma etiqueta a dizer “Para abrir em dias regulares”...

Estanquei e interroguei: o que será um dia regular ?

Prontamente saíu da caixa um mensageiro em forma de palito usado. Trazia espetado pela cabeça abaixo – leia-se pelo bico acima – mais outro papelito onde se lia “gosto de escrever e ainda mais de comer cerejas no final do arroto”.

Fiquei esclarecida, claro: um dia regular tem a ver com cerejas e, sobretudo, com vontade de dizer impropérios, impossibilidades técnicas e criatividades prácticas. Terá a ver com o falar só por falar – e sim, a Língua Portuguesa também está metida nisto... há cumplicidade evidente – terá a ver com estas alturas em que não há nada de novo mas o cérebro teima em continuar a mexer... por isso toca a desregular e a tocar qualquer instrumento que engula o silêncio.

Talvez haja algo para estes casos dentro do pacote... fiquei a olhar de esguelha, sobre o ombro do papel, para a tampa da caixa fechada...

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